Conjunto de tanques no Largo do Cidade

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Conjunto de tanques no Largo do Cidade
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No final da rua de Couros e entrando no Largo do Cidade podemos observar o conjunto da antiga fábrica de curtumes Mirandas, Ferreira & Carvalho, Lda que deixou de funcionar no século XX. Esta fábrica resultou da união de pequenas manufacturas que aqui laboravam de forma independente.
Se olharmos para esta estrutura vemos que é bastante irregular e diferente das outras existentes na zona de Couros. Esta característica revela-nos a sua antiguidade e assinala as práticas pré-industrais de exploração destes tanques, que pertenciam a diferentes proprietários e que eram arrendados muitas vezes individualmente aos homens dos Couros.
 
O balcão enquadra os tanques e a sua relação com o rio. Vale a pena apreciar a forma como a água desaparece no labirinto de estruturas onde as peles eram mergulhadas nas demoradas operações para a sua transformação em couro. Neste processo a água tinha uma papel fundamental sendo reaproveitada ao máximo entre as diferentes fases.
 
Propõe-se ainda uma descoberta da dimensão das lajes que, aqui e ali, servem de pavimento. Eram antigas estruturas de apoio ao curtimento das peles, onde se exerciam algumas operações e onde eram depositadas as matérias-primas e resíduos resultantes desta actividade.
 
Os pelames, os lagares, as lagaretas davam nome a estes tanques conforme a fase de produção. Iniciava-se com os trabalhos de ribeira que serviam para eliminar os pêlos da flor da pele e as gorduras do carnaz. As peles secas e salgadas eram mergulhadas durante vários dias num tanque maior, a lagareta ou lagaretão, para voltarem a ganhar humidade e poderem ser trabalhadas. De seguida eram colocadas nos pelames, tanques mais pequenos, onde era introduzido um preparado de cal que facilitava a remoção do pêlo. Repetia-se esta operação para retirar também todas as gorduras e resíduos de carne.
Seguia-se a fase de humada ou desencalagem, ou seja de eliminação da cal da superfície das peles, utilizando uma mistura de excrementos de pomba e de cão diluídos em água a ferver. As peles ficavam submersas neste composto durante vários dias.
O período em que as peles estavam demolho variava consoante as condições climatéricas.
A presença do folão, equipamento mecânico introduzido no século XIX, permitiu um grande avanço tecnológico que reduziu em muito o tempo de execução dos trabalhos de ribeira.
Após a fase de limpeza, seguia-se o demorado e complexo processo de curtimenta, que permitia tornar a pele imputrescível através da aplicação de substâncias vegetais com propriedades tanantes. Em Guimarães o produto mais utilizado era a casca de carvalho alvarinho que vinha do concelho de Fafe.
No lagar com águas limpas colocavam-se, em camadas alternadas, as peles estendidas e envolvidas por casca de carvalho moída.
Nesta fase entrava o curtidor, grande conhecedor das características das peles e a quem cabia o controle de todo processo. Os sucessivos banhos de casca podiam demorar até 3 meses.
Este processo terminava com a lavagem à perna dos couros, feita por homens descalços, que dentro dos tanques pisavam as peles.
Depois de escorridos os couros, passava-se à fase de acabamento ou aparelho, que normalmente era feita em espaços interiores ou cobertos, as denominadas casinhas, e que variava consoante a finalidade do produto. Nesta fase entravam os surradores, um grupo muito especializado e bem pago.
Durante 30 minutos surrava-se o couro com a pissara, sobre tábuas, para lhe retirar a humidade e o excesso de tanino. Este era um trabalho que exigia perícia e muita força física até à mecanização do processo em meados do século XX.
Seguia-se o processo de secagem, que podia durar cerca de um mês.
Posteriormente os couros eram engraxados com sebo para esticar a pele e cobrir eventuais manchas e após uma última secagem nas varandas e tendais, os couros podiam ainda ser pintados.
Por fim os couros eram classificados pela sua qualidade, agrupados em costais amarrados por uma corda e armazenados.
 
 
 

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